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Instrumentos de pressão Ashcroft: como escolher entre manômetro, pressostato e transmissor sem comprometer o processo

14 de abril de 2026 Por Aline

Instrumentos de pressão Ashcroft: como escolher entre manômetro, pressostato e transmissor sem comprometer o processo

Técnico em planta industrial monitorando manômetros de pressão Ashcroft ao lado de tubulações, representando a parceria COPPI e Ashcroft em medição e controle de pressão.

Na prática de chão de fábrica, “instrumento de pressão” muitas vezes vira tudo a mesma coisa.

Só que não é.

Escolher manômetro, pressostato ou transmissor apenas pelo preço, pela faixa ou pelo famoso “equivalente” é um atalho que costuma sair caro: leituras imprecisas, comandos indevidos, disparo errado de proteção, falhas de automação e aumento de paradas não planejadas. 

Este guia apresenta de forma direta os principais instrumentos de pressão Ashcroft – o que cada um faz, como funciona, onde aplicar e quais critérios técnicos usar na hora de especificar. A ideia é simples: instrumento certo, no lugar certo, para a função certa.


O que cada instrumento faz: indicar, comandar ou transmitir

Apesar de todos trabalharem com a mesma variável (pressão), a função de cada instrumento no processo é diferente.

Manômetro: indicação local de pressão

O manômetro de pressão Ashcroft é um instrumento de indicação local.
Ele mostra a pressão diretamente no ponto de instalação, por meio de ponteiro e escala, permitindo que o operador visualize a condição do sistema em tempo real. 

  • Não envia sinal para CLP, supervisório ou IHM.
  • Não substitui transmissor nem pressostato.
  • Não foi projetado para comando automático.

Sua função é clara: dar visibilidade da pressão naquele ponto do processo, de forma simples, robusta e de baixo custo.


Pressostato: comando e proteção baseados em pressão

O pressostato Ashcroft não é um instrumento de leitura contínua, é um instrumento de comando. 

Ele monitora a pressão e aciona ou desaciona um contato elétrico quando a variável atinge o ponto de ajuste (setpoint). Na prática, ele:

  • liga ou desliga equipamentos (bombas, compressores, etc.);
  • gera alarmes de alta ou baixa pressão;
  • atua como elemento de proteção e intertravamento.

É a escolha típica quando você precisa que “algo aconteça” automaticamente ao atingir determinada pressão, sem exigir leitura contínua em tela ou supervisório.


Transmissor de pressão: monitoramento remoto e automação

O transmissor de pressão Ashcroft mede a pressão e a converte em um sinal elétrico proporcional, geralmente 4-20 mA ou sinal digital com protocolos como HART ou Profibus, para CLP, sistemas supervisórios ou outros dispositivos de automação. 

Na prática, ele:

  • permite monitoramento remoto da pressão;
  • alimenta malhas de controle e lógica de processo;
  • viabiliza registro de dados, tendências e rastreabilidade;
  • integra a variável pressão à camada de automação e análise.

Aqui, o objetivo não é apenas saber “quanto está a pressão”, mas usar essa informação para controlar, registrar e decidir.


Resumindo a função de cada um no processo

Uma forma simples de memorizar:

  • Manômetro indica.
  • Pressostato comanda.
  • Transmissor transmite.

Quando isso está claro, a chance de usar o instrumento errado – e comprometer o processo – cai drasticamente.


Como cada instrumento funciona, em termos simples

Manômetro: deformação mecânica convertida em ponteiro

Nos manômetros de processo Ashcroft, o princípio mais comum é o tubo Bourdon. 

De forma simplificada:

  1. A pressão atua dentro do tubo curvado (Bourdon).
  2. O tubo tende a se deformar (endireitar) conforme a pressão aumenta.
  3. Essa deformação é transmitida por um mecanismo ao ponteiro, que se move na escala.

Resultado: uma indicação analógica local da pressão do sistema – robusta, intuitiva e de leitura imediata.


Pressostato: sensor de pressão acoplado a contato elétrico

Nos pressostatos Ashcroft, existe um elemento sensor de pressão (diafragma, pistão, etc.) conectado a um mecanismo de comutação elétrica. 

  1. A pressão age sobre o sensor.
  2. Ao atingir o valor ajustado (setpoint), o mecanismo comuta o contato: abre ou fecha o circuito.
  3. Isso aciona cargas, sinaliza alarmes ou intertrava o sistema.

O foco do pressostato não é a leitura numérica contínua, mas o ponto em que o comando deve ocorrer.


Transmissor: sensor eletrônico que converte pressão em sinal

Nos transmissores de pressão Ashcroft, a pressão atua sobre um sensor eletrônico (por exemplo, strain gauge ou sensor de filme fino). 

  1. A pressão gera uma variação física no sensor.
  2. Essa variação é convertida em sinal elétrico proporcional (corrente ou tensão).
  3. O sinal é enviado ao CLP, sistema supervisório, IHM ou dispositivo de controle.

Com isso, a variável pressão passa a ser dado digitalizável, pronto para controle automático, registro, análise e integração com outras variáveis de processo.


Critérios técnicos para especificar instrumentos de pressão

Escolher o instrumento correto não é apenas decidir “qual deles” (manômetro, pressostato ou transmissor), mas como especificar cada um de forma coerente com o processo.

Entre os parâmetros mais importantes, estão:

  • Faixa de pressão
    – pressão mínima e máxima a serem medidas;
    – recomendação: trabalhar com faixa de instrumento compatível com a pressão de operação, evitando operar muito próximo do limite.
  • Pressão de operação x pressão máxima do sistema
    – considerar picos, sobrepressões e transientes;
    – em aplicações com golpe de aríete ou variações bruscas, isso é crítico.
  • Tipo de fluido
    – ar, gases, água, vapor, óleo hidráulico, fluido químico, produto sanitário;
    – compatibilidade com materiais “molhados” (elemento sensor, conexão, selo).
  • Temperatura de processo e ambiente
    – vapor, fluido quente, ambientes externos ou com temperatura extrema;
    – necessidade de elementos de proteção, como sifão para vapor ou capilares.
  • Presença de vibração ou pulsação
    – bombas alternativas, compressores, martelo hidráulico;
    – uso de amortecedor de pulsação, preenchimento com glicerina, etc.
  • Necessidade de sinal elétrico
    – se você precisa apenas da leitura local → manômetro;
    – se precisa de comando on/off → pressostato;
    – se precisa transmitir e integrar a pressão ao CLP → transmissor.
  • Precisão requerida
    – processos críticos pedem maior exatidão;
    – Ashcroft oferece diferentes classes de precisão conforme a aplicação. 
  • Tipo de conexão ao processo
    – roscada, flangeada, sanitária, manifold, etc.;
    – compatível com a instalação existente e com a manutenção.
  • Posição de montagem
    – local, painel, tubo de 2″, trilho DIN, etc.
  • Grau de proteção do invólucro
    – IP/NEMA compatível com umidade, pó, jatos d’água ou área classificada. 
  • Necessidade de contato elétrico, alarme ou intertravamento
    – define o papel do pressostato ou de opcionais no manômetro/transmissor.
  • Compatibilidade com o sistema de controle
    – tipo de sinal de saída (4–20 mA, tensão, HART, Profibus);
    – alimentação, protocolos e integração com o CLP/supervisório existente.

Materiais de construção e compatibilidade com o fluido

Em muitas aplicações, a compatibilidade química não é detalhe – é fator determinante para a vida útil e segurança.

Entre os materiais utilizados nos instrumentos de pressão Ashcroft, destacam‑se: 

  • Corpo/caixa: aço carbono, aço inoxidável, alumínio, termoplásticos;
  • Conexão ao processo: latão ou inox, conforme fluido e ambiente;
  • Elementos sensores: aço inoxidável, ligas especiais (Hastelloy, Monel, tântalo, etc.);
  • Selos de diafragma: para isolar o instrumento de fluidos corrosivos, viscosos, pastosos ou com risco de entupimento.

Em aplicações corrosivas, sanitárias, em amônia, vapor ou fluidos agressivos, a combinação correta de materiais e, quando necessário, selos de diafragma Ashcroft, é o que garante proteção do instrumento e continuidade da medição. 


Condições de aplicação que reduzem a vida útil

Mesmo com o instrumento correto, alguns fatores de campo podem comprometer a leitura e antecipar falhas:

  • Picos de pressão e sobrepressões não previstas;
  • Vibração mecânica intensa em tubulações, bombas e compressores;
  • Pulsação de bomba ou compressor, que “balança” o ponteiro do manômetro;
  • Temperatura excessiva no fluido ou no ambiente;
  • Instalação inadequada, sem proteção mecânica ou sem acessórios;
  • Fluido incompatível com materiais do instrumento ou com o fluido de enchimento (em manômetros cheios de líquido). 

Nesses cenários, acessórios como amortecedores de pulsação, sifões, selos de diafragma, capilares e preenchimento com glicerina deixam de ser opcionais e se tornam parte da solução.


Sinais e integração: quando o transmissor é indispensável

Nos transmissores de pressão Ashcroft, o foco é a integração com sistemas de automação. 

Entre os recursos típicos, estão:

  • Saídas analógicas:
    – 4–20 mA (padrão de mercado em controle de processo);
    – sinais de tensão (0–10 V, 1–5 V, etc.), conforme necessidade.
  • Saídas digitais e protocolos de comunicação:
    – HART, Profibus e outros, conforme modelo;
    – rangeabilidade (ajuste da faixa de medição) para flexibilidade de aplicação.
  • Integração com CLP, DCS e supervisórios:
    – monitoramento remoto e em tempo real;
    – registro de dados de pressão ao longo do tempo;
    – análise de tendência, alarmes, intertravamentos e otimização de processo.

Quando o objetivo é automação, rastreabilidade e controle fino, o transmissor deixa de ser uma opção e passa a ser requisito.


Aplicações típicas de cada instrumento

Alguns cenários ajudam a ilustrar a divisão prática de uso:

Manômetros Ashcroft – indicação local

  • Linhas de ar comprimido e redes de utilidades;
  • Hidráulica industrial e sistemas de bombeamento;
  • Compressores e reservatórios;
  • Skids de processo e painéis onde o operador precisa de leitura direta.

Pressostatos Ashcroft – comando e proteção

  • Acionamento de bombas por pressão mínima ou máxima;
  • Proteção de compressores contra sobrepressão;
  • Alarmes de baixa pressão de lubrificação;
  • Intertravamento de sistemas que não podem operar fora de faixa.

Transmissores Ashcroft – monitoramento e automação

  • Malhas de controle de processo em plantas químicas, petroquímicas, alimentos e bebidas, energia, água e esgoto; 
  • Monitoramento remoto em áreas críticas ou de difícil acesso;
  • Aplicações que exigem registro contínuo, rastreabilidade e integração a sistemas de gestão e análise.

Acessórios e soluções complementares

Instrumento de pressão não trabalha sozinho.
A solução correta muitas vezes inclui uma combinação de acessórios Ashcroft, como: 

  • Sifões para vapor – protegem o instrumento de altas temperaturas;
  • Amortecedores de pulsação – reduzem oscilações causadas por bombas ou compressores;
  • Preenchimento com glicerina em manômetros – melhora a leitura em ambientes com vibração;
  • Selos de diafragma – isolam o instrumento de fluidos agressivos, viscosos ou com partículas;
  • Válvulas de bloqueio e manifolds – facilitam manutenção, calibração e isolação;
  • Capilares – permitem instalação remota do instrumento em áreas mais seguras.

Sem esses elementos, mesmo um instrumento de alta qualidade pode operar fora da condição ideal.


Erros comuns de especificação – e como evitá‑los

Alguns problemas aparecem com frequência em campo:

  • Escolher instrumento pela faixa errada (muito estreita ou muito ampla);
  • Ignorar compatibilidade química entre fluido e materiais;
  • Usar manômetro quando o processo exigia transmissor (necessidade de automação, registro, controle remoto);
  • Usar pressostato esperando dele uma leitura de pressão “como se fosse manômetro”;
  • Não considerar temperatura, vibração, pulsação e necessidade de acessórios;
  • Deixar de prever proteção contra sobrepressão.

O resultado costuma ser o mesmo: leitura pouco confiável, falhas prematuras, acionamentos indevidos e aumento de custo de manutenção.


Mais do que produto unitário: função dentro do processo

Ao olhar para o portfólio de instrumentos de pressão Ashcroft, o ponto central não é apenas “qual modelo escolher”, mas que função você precisa cumprir no processo:

  • Indicação local (manômetros Ashcroft)
    Leitura simples, robusta e de baixo custo para o operador em campo.
    Decisão típica: padronização de planta, reposição confiável, aumento de visibilidade operacional.
  • Controle e proteção (pressostatos Ashcroft)
    Acionamento automático baseado em pressão, intertravamento e segurança.
    Decisão típica: reduzir falhas por operação fora de faixa, elevar proteção e automatizar funções básicas sem complexidade excessiva.
  • Monitoramento e automação (transmissores Ashcroft)
    Integração total com CLP, DCS e supervisórios, com registro e análise.
    Decisão típica: digitalização do processo, rastreabilidade, ganho de eficiência e suporte à tomada de decisão baseada em dados.
  • Complemento crítico (acessórios e selos de diafragma)
    Proteção do instrumento, aumento de vida útil e medição confiável em condições severas.

Ao invés de comprar apenas “mais um instrumento”, a abordagem correta é especificar a solução completa – instrumento + acessórios – alinhada à realidade do processo.


Especificar certo é proteger o processo

Instrumentos de pressão não são todos iguais, e a escolha errada não afeta só a leitura:
ela compromete controle, segurança, confiabilidade e manutenção.

Entender a diferença entre indicar, comandar e transmitir, levar em conta as condições reais de aplicação e considerar materiais, acessórios e integração com automação são os passos que separam “mais um instrumento instalado” de uma solução realmente confiável.

➡️ Se a sua planta está convivendo com leituras inconsistentes, instrumentos falhando antes do tempo ou dúvidas sobre qual solução aplicar em cada ponto, vale dar um passo atrás e revisar a estratégia de medição de pressão como um todo.

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